Meditação da Palavra

05 janeiro 2012

Estamos precisando de guias

Uma coisa é dar informação, outra coisa é ser guia. Eu quero, por exemplo, ir a um lugar que não conheço bem. Alguém pode me dar uma informação: vá por ali, dobre à direita, siga em frente, etc. Outra coisa é se alguém puder me acompanhar até lá onde eu quero ir. Uma coisa é dar informação, outra coisa é ser guia: acompanhar até onde se precisa ir.

E pra onde é que nós precisamos ir? Temos muitas necessidades, muitos planos, mas se pensarmos bem, o caminho da felicidade é um só. E tem um nome: Cristo. Jesus Cristo. Ele é o modelo de realização humana para o povo desta terra, criado à imagem e semelhança de Deus. Gente com sonhos de eternidade, aspirações ao amor, à liberdade, à plenitude. Quer ser feliz? Todo mundo quer. Então, o caminho é Cristo. Eu sou o caminho, a verdade, a vida: ele nos disse. Trata-se de inspirar-se nele, motivar-se nele, tê-lo como amigo e guia, como mestre e companheiro de caminhada. Nele, podemos elevar nossa vida humana à condição divina.

Mas não é qualquer um que pode nos ajudar a encontrar Jesus e seguir caminho com ele. Encontramos muita gente que dá informação. Conhece a Bíblia, aponta um versículo aqui, um episódio bíblico ali. Dá uma lição de moral, recorda os mandamentos, as obrigações. Dá informação. E nós continuamos ainda um tanto perdidos, diante de um caminho desconhecido, que não se sabe bem nem por onde começar. Algumas vezes (que sorte!), encontramos alguém que se dispõe a ser nosso guia, a nos mostrar o caminho, a caminhar conosco. Aí a gente pode seguir confiante, temos um guia. Alguém que conhece mais do que os versículos bíblicos, conhece o caminho e tem paciência pra nos acompanhar nele.

É mais fácil dar informação. É só ler o mapa, juntar as informações e comunicá-las. É mais difícil ser guia. Tem que caminhar, gastar tempo, percorrer o caminho no passo do outro. O informante conhece de estudar, de ouvir falar, sabe de longe. O guia conhece de perto, trilha também o caminho, tem experiência da estrada. O informante atende aos clientes. O guia faz novos amigos. O informante fala com frieza do caminho, com distância, não se envolve. É um burocrata, doido pra se ver livre do cliente. O guia mostra o que vê de bonito, chama a atenção para as marcas históricas do percurso, vibra a cada passo. É um apaixonado, envolvendo os novos amigos em sua própria aventura.

Os discípulos de Emaús iam pela estrada, tristes, meio perdidos. Tinham perdido o rumo de sua caminhada que era o próprio Jesus, que tinha sido morto e sepultado. Jesus entrou na caminhada dos dois. Caminhou com eles, conversou com eles, explicou trechos da Escritura Sagrada que falavam dele, ceou com eles em sua casa. Não foi um informante, explicando que tinha ressuscitado e caindo fora. Foi guia: conduziu os dois até a descoberta de sua ressurreição.

Na vida cristã, temos muitos informantes, mas estamos precisando mesmo é de guias. Guias que caminhem conosco, tratando-nos como amigos, partilhando cada passo na estrada até a descoberta de Jesus Cristo ressuscitado.  Ele é o caminho verdadeiro, o rumo certo que precisamos dar às nossas vidas. Estamos precisando de guias. 

Pe. João Carlos Ribeiro - 05.01.2012