12 dezembro 2011

O novo da história

O que há de novo na história da humanidade? O que poderia haver de revolucionário suficiente para dar um novo começo a essa história um tanto quanto atrapalhada? Os cristãos asseguram que, há pouco mais de dois mil anos, a história da humanidade foi marcada por um evento absolutamente revolucionário. Deus mesmo veio morar com a gente. É esta a boa notícia que impactou a aventura humana na terra há pouco mais de dois mil anos. Deus mesmo veio morar com a gente.

E em que isso faz a diferença? É que se há um ideal a ser seguido, ele não está mais nas nuvens, no além, nos livros, nas promessas. O ideal de humanidade ética, solidária, espiritualizada não é apenas um projeto. É uma pessoa. Os ideais de bondade, comunhão, fraternidade, justiça, verdade podem ser vistos, tocados na vida e na experiência de uma pessoa humana: Jesus de Nazaré, Deus e Homem a um só tempo. O verbo eterno que estava desde sempre ao lado do Pai e agora entrou na história humana, solidário com todo ser humano, particularmente com o mais sofrido e desprezado.

E isso faz toda a diferença. Como disse o apóstolo João em sua carta: "O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e o que as nossas mãos apalparam da Palavra da Vida, ....isso nós vos anunciamos..." (1 Jo 1, 1.3). Jesus é essa verdade maravilhosa de Deus ao nosso alcance, Deus que veio a nós. O inefável que deixou-se tocar. Isso é o natal.

Não é a toa que Jesus pode nos dizer a certa altura de sua vida humana: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". Podemos segui-lo, crer nele, experimentar a vida eterna que ele nos comunica porque ele é de nossa raça humana, anda pelos nossos caminhos, sente as nossas dores, atravessa o nosso mesmo vale de lágrimas. Agora, podemos saber como é que um filho de Deus nessa terra pode manter-se em comunhão com o Pai e com os irmãos, ser-lhe fiel, encontrar realização e felicidade em sintonia com a vontade divina. Assim dá para entender bem o modo como Jesus convocava seus seguidores. O convite era simples: Vem e segue-me. Ele continua nos convidando a viver como ele, a tê-lo como regra de vida, a imitá-lo em sua vida humana de filho de Deus. Vem e segue-me!

A magia do natal, como costumamos definir o clima de reconciliação e paz que emana dessa comemoração, não brota das fachadas enfeitadas ou dos pinheiros decorados. A magia do natal é a presença de Jesus entre nós, Deus mesmo que veio morar com a gente. E não se trata de uma visita, em que Deus, por meio do seu filho, tirou um pouco de seu tempo para estar conosco. Ele se define como Emanuel, o Deus que está conosco. Como diz o prólogo do evangelho de São João: "O verbo se fez carne e habitou entre nós".

Pe. João Carlos Ribeiro – 12.11.2011