26 outubro 2011

Em Assis, um mundo em paz

O que admirar mais naquela Jornada Mundial de Oração pela Paz há 25 anos atrás: a liderança do Papa, a adesão das religiões ou a sede que a humanidade sempre teve de paz?  Todo mundo ficou impressionado com a liderança do Papa João Paulo II. Ele convocou os líderes religiosos do mundo todo para um dia de oração pela paz em Assis, na cidade de São Francisco. E representantes de grandes religiões mundiais encontraram-se em Assis para rezar pela paz, como irmãos, certos de que a paz é mais do que uma conquista da política internacional.

As Igrejas Ortodoxas estiveram lá, representadas pelo Patriarca Ecumênico Bartolomeo I e os mais importantes patriarcas da Bulgária, Romênia, Servia, Alexandria, Antioquia, Jerusalém, Albânia, Finlândia, Chipre e Polônia. Uma delegação do Patriarcado de Moscou também participou. A Igreja Apostólica da Armênia também. As Igrejas Protestantes foram representadas pela Federação Luterana Mundial, o Conselho Metodista Muldial, a Aliança Batista Mundial, a Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo dia. Os Judeus também marcaram presença, com delegações de várias partes do mundo. O Rabino Henry Sobel de São Paulo foi o primeiro da lista. Do Islamismo, participaram lideranças do Irã, Paquistão, Arábia Saudita, Líbano, Jordânia, Cazaquistão e Jerusalém. Grupos Budistas representantes do Dalai Lama chegaram por lá também. Grupos Shintoias do Japão e uma delegação induísta da Índia responderam presente. E para completar, muitos representantes de religiões tradicionais africanas também lá estiveram.

A pergunta é como é possível juntar gente tão diferente, de crenças tão distintas. A resposta está naquele canto dos anjos na noite do natal: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade”. Onde há boa vontade, onde há sincera busca de Deus e da verdade, há possibilidade de encontro, de comunhão sincera, de oração conjunta. E embora todos não conheçam o mesmo Deus, nem o sirvam de igual maneira, mas queiram ou não, um só é o Senhor de todos, há um só Deus. E mesmo que esta verdade não seja partilhada por todos, o respeito mútuo, a consideração fraterna e a vontade comum de interceder pela paz ofereceram  ao mundo um grande espetáculo de fé e unidade. Uma grande lição de respeito entre as religiões e de empenho pela paz mundial.

25 anos depois, o Papa Bento XVI relembrando o gesto eloquente do seu predecessor, agora beatificado, convocou os líderes das religiões mundiais para um novo momento de oração pela paz e pela justiça. Cerca de 300 expoentes de várias crenças se reúnem com o Papa na cidade de Assis. "Peregrinos da verdade, peregrinos da paz" é o título desta jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz. O mundo reza unido em Assis. Milhões de pessoas de corações sintonizados na cidade de São Francisco e olhos fitos no Alto. A paz é possível. Ela vem do alto. Aninha-se no coração humano. Consolida-se quando os irmãos se dão as mãos.

Pe. João Carlos Ribeiro – 25.10.2011