Meditação da Palavra

20 outubro 2011

A diferença

O que o cristão tem de diferente? Primeiro nos perguntemos se o cristão precisa ter algo de diferente. Bom, pelo que Jesus falou, parece que sim. Ele disse: vocês são o sal na comida. Vocês a luz do mundo. O fermento na massa. O sal tem propriedades ativas, dá sabor, protege da degradação. A luz também é uma imagem que revela influência: clareia, dissipa as trevas. Fermento então, nem precisa falar. Cristão é sal, não se confunde com o alimento. É luz, ilumina e vence as trevas. É fermento, não é massa. É pra fermentar a massa. Conclusão: cristão tem que fazer a diferença.


Agora, acontece que se vê pouca diferença em muitos cristãos. Uns são tão normais, que estão na média da mediocridade geral. Outros são bem piores. São mais mesquinhos, mais vingativos, mais cruéis que outras pessoas que não ostentam o nome de cristão. Há quem revele, quando pisam no seu calo, quanto são egoístas, insensíveis e intolerantes. E não faltam os que até são muito devotos, mas continuam pessoas egoístas e interesseiras.

O fato é que não basta estar filiado a uma agremiação religiosa. Ser cristão é muito mais. É ter adotado um estilo de vida inspirado em Jesus Cristo. É ter assumido como modelo de vida a pessoa de Jesus de Nazaré. É estar tomando a sério suas palavras e seus ensinamentos. É estar crescendo como filho de Deus, na fraternidade e na solidariedade com os seus semelhantes. É viver a condição de nova criatura, renascida em Deus.

Afinal, o que o cristão tem de diferente? Alguma diferença deveria ter. Jesus foi claro: se vocês só gostam dos que já são seus amigos, fazem igual aos que não crêem. E se saúdam só os que os cumprimentam, cadê a diferença? Mostrar amizade pelos amigos é fácil, é o normal. O negócio é como você trata os que não são seus amigos, como você lida com os que o perseguem, ou como você convive com o ódio que alguém possa ter por você. Aí, pode haver uma diferença. Olha os conselhos de Jesus: "ame os seus inimigos e reze pelos que lhe perseguem". Não querer o mal, não revidar com o mal, querer insistentemente o bem do outro: essa é a diferença.

O modelo, o exemplo, o caminho é Jesus. Amou até o fim, até à cruz. E venceu assim. Não se deixou conduzir por interesses mesquinhos de algum grupo ou por revanchismo de qualquer marca. Fez a diferença. Incomodou porque fez a diferença. Manteve-se livre e amoroso, mesmo na prisão e na cruz. E nos chamou a imitá-lo: eu sou o caminho. Fácil não é. Mas a graça de Deus que nos habita pelo Espírito Santo é a força que precisamos para superar as dificuldades e nos superar nas dificuldades.

Se não fizermos a diferença, negamos aos outros o testemunho de lealdade, de compromisso com o bem, com a verdade, com a justiça que tanto as pessoas de hoje precisam. Valores que se alimentam no Evangelho de Jesus. É, o cristão tem que fazer a diferença.

Pe. João Carlos