13 outubro 2011

As crianças estão se vendendo

O que leva uma criança de 7, 9 ou 12 anos a se oferecer por alguns reais? Qual é o futuro desses milhares de crianças e adolescentes que estão se prostituindo hoje nas ruas, nos postos de combustível, nas estradas? Como podemos permitir esse tipo de coisa que continua crescendo de maneira assustadora? Temos que fazer alguma coisa. E logo.

O país está travando uma longa e ainda tímida batalha. E nós não podemos ficar de fora. A luta é contra a exploração sexual de crianças e adolescentes, mau que nos envergonha e nos entristece. Segundo a ONU, o Brasil ocupa o primeiro lugar em prostituição infanto-juvenil na América Latina e o segundo no mundo.

A miséria é a primeira culpada pela prostituição infantil. Há muitos casos em que os próprios pais empurram as filhas para se venderem. Tudo pode começar com a menina ou o menino na rua, tentando vender alguma coisa ou pedindo dinheiro. A miséria, o desemprego dos pais, a falta de horizontes da família são fatores que induzem a exploração sexual infantil.

Onde começa a exploração sexual de meninos e meninas? A resposta é desconcertante: na própria família, revelam as pesquisas.  A exploração sexual de crianças começa dentro de casa. Essas crianças são vítimas dos próprios parentes: pais, tios, avôs. Esses pedófilos aproveitam-se das crianças, valendo-se de sua autoridade sobre elas, invocando amor por elas. É assim que também conseguem o silêncio das vítimas. Quando as crianças chegam a contar às suas mães, elas, na maioria dos casos, não chegam a acreditar no relato dos filhos ou não têm coragem de formalizar uma denúncia contra o agressor. 

Outra razão que favorece a exploração sexual de crianças e adolescentes é a nossa cultura fortemente erotizada. As músicas, que há um tempo falavam de amor, hoje falam de sexo, de maneira provocante e obscena. As imagens, que marcam tão fortemente nossa cultura pós-moderna, evocam relacionamentos sexuais, sejam nos outdoors, no cinema, e mais ainda nas novelas de televisão e em outros programas hoje abertamente "liberados". A nossa cultura fortemente erotizada induz crianças e adolescentes à vida sexual precoce e dá um grande incentivo aos exploradores de crianças. Existem mais três agravantes: o turismo sexual, a pornografia na internet e as redes de prostituição infanto-juvenil. A prostituição infantil virou um grande negócio com a instalação de redes, com aliciamento de menores e serviços de agenciamento.

Mas, não falta o que fazer. É preciso mesmo descruzar os braços e cair em campo. Esse é um problema angustiante, ao lado de outros como o problema das drogas e da miséria. Temos que cobrar ações em todas as frentes: os programas de inclusão social do governo, a seriedade da educação pública, a ética nos meios de comunicação social, a atenção redobrada dos pais de família com seus filhos. Precisamos reforçar o trabalho dos Conselhos Tutelares. E usar mais o disque-denúncia 0800 99 0500. Nossa fé nos cobra ação. E, como nos ensinou o apóstolo, a fé sem obras é morta.

Pe. João Carlos Ribeiro
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