05 setembro 2011

O grito do Brasil

O Grito dos Excluídos se propõe a superar um patriotismo passivo em vista de uma cidadania ativa e de participação, colaborando na construção de uma nova sociedade, justa, solidária, plural e fraterna. 


Um Brasil com desfiles cívicos, autoridades no palanque, patrocínio oficial. Outro, animado por palavras de ordem, bandeiras, apoio de sindicatos, partidos, grupos de Igreja. Um, o desfile de sete de setembro. Outro, o Grito dos Excluídos. É assim pelo Brasil afora. Dois Brasis na avenida.

São duas propostas de celebração do mesmo sete de setembro. Duas visões sobre o Brasil, sobre o passado e sobre o presente. Dois sonhos para o futuro do Brasil. Um leva as escolas e os militares para a avenida. E arrasta multidões para ver e aplaudir. O outro não chega a arrastar tanta multidão e não conta com platéia para ver nada. O povo em vez de se enfileirar na avenida para ver o desfile, faz ele mesmo o desfile, uma caminhada com cara de protesto. Aí não precisa de tanques e cavalos. Basta o povo com a cara que tem. A consciência que tem. E os sonhos que o move.

Mas a parada do Grito dos Excluídos não tem nada de sisuda e estressante. É uma festa popular na avenida. Muita música, muitas cores, muita alegria. Vão os artistas populares, as senhoras das comunidades, as crianças, os pipoqueiros com suas carroças. Vai um povo em êxodo, desperto, no exercício de uma cidadania ativa e responsável. Não fazem execuções diante de palanques oficiais, antes julgam os palanques, dizem sua palavra sobre o modelo econômico, gritam sua dor. Não há aplausos no caminho. Mas, há caminho.

O Grito dos Excluídos, nascido no seio da Igreja e hoje em ampla parceria social, é uma verdadeira comemoração do dia da independência. Verdadeira comemoração, porque a independência pra valer nasce na consciência dos cidadãos, alimenta-se no seu engajamento em defesa do bem comum e se exercita na sua capacidade de mobilização.

Neste ano, o Brasil do Grito dos excluídos está nas ruas ainda mais numeroso e barulhento em sua 17ª edição. O lema do Grito desse ano é "Pela vida grita a terra... por direitos, todos nós!". A preservação da vida no planeta e os direitos do povo brasileiro. E com esse Grito do Brasil, confirma-se que há mesmo razões para crer num futuro de paz, prosperidade, liberdade e igualdade nessa grande pátria.

"Eu ouvi o clamor do meu povo e desci para libertá-lo". Foi o que Deus disse a Moisés, encarregando-o de liderar um povo em êxodo para a terra prometida. Deus ouviu o grito do seu povo. Deus continua a ouvir o clamor do seu povo. E a acompanhá-lo na marcha para a terra da promessa. "Pela vida grita a terra... por direitos, todos nós!".

Pe. João Carlos Ribeiro