08 maio 2013

Maravilhas

"Bendita és tu entre as mulheres. Bendito é o fruto do teu ventre". É a saudação da prima Izabel, quando Maria chega à sua casa.  Izabel está radiante com aquela visita inesperada.

Seu bebê de 6 meses de gestação esperneia de contentamento. Izabel, cheia do Espírito Santo, festeja a chegada da jovem prima: "Bendita és tu entre as mulheres. Bendito é o fruto do teu ventre". A saudação de Izabel continua de boca em boca, cumprindo a profecia da Virgem: "Todas as gerações me chamarão bem-aventurada". E ela mesma deu a razão: "porque o Senhor fez em mim maravilhas". Quando fazemos festa para Maria, na verdade festejamos quem nela fez maravilhas.

A Igreja proclama as maravilhas que Deus fez em Maria. Uma delas foi a imaculada conceição. Em 1854, o papa Pio IX, fazendo eco a séculos de tradição, proclamou que Maria desde o primeiro instante de sua concepção foi preservada do pecado original. Todos nós nascemos com o pecado original, somos herdeiros da distância em que o ser humano se colocou de Deus. Mas, reza nossa fé católica, ela não. Ela foi preservada desse estado de separação de Deus, desde a sua concepção. Isso foi graça de Deus. Para nos livrar do pecado original, nós nos batizamos. Ela não precisou ser batizada. Já estava purificada desde o primeiro momento de sua existência. Obra de Deus.

"O Senhor fez em mim maravilhas", Maria reconheceu isso. A "Cheia de Graça" concebeu o seu filho Jesus sendo Virgem. Os evangelhos falam disso: Jesus foi concebido de maneira milagrosa. O filho de Deus foi gerado no seio da Virgem por obra e graça do Espírito Santo. Lutero aceitou a concepção virginal de Maria. Mas, muitos dos seus seguidores hoje acham que Maria não continuou virgem, teve filhos depois de Jesus. A palavra "irmão" que ocorre algumas vezes no Evangelho é muito simples de se entender. No hebraico não há a palavra "primo".   Os chamados "irmãos do Senhor" são seus primos, seus parentes. Primos e parentes são todos irmãos. A Bíblia está cheia de exemplos disso. A Virgindade de Maria foi permanente. Foi virgem antes do parto e depois dele. A concepção virginal é obra do Senhor na vida de sua humilde serva.

"Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores". Mãe de Deus: foi o reconhecimento dos cristãos reunidos no Concílio de Éfeso no ano 431. Jesus é homem e Deus, ao mesmo tempo. Filho de Deus e de Maria. Enquanto humano, Jesus é filho de Maria. Ele é indissoluvelmente humano e divino. O título Mãe de Deus quer dizer que Maria é mãe de Jesus, que é Deus. É claro que Maria não é a origem da natureza divina de Jesus. Nem mãe do pai ou do Espírito Santo. É mãe do filho, em quem o humano e o divino estão unidos.

Reconhecemos também que ela participou ativamente da paixão e da morte do Senhor. Esteve ao seu lado, entregou-se com ele, partilhou sua dor. Por isso, reconhecemos também que ela participou dos frutos de sua ressurreição. Maria não teve que esperar a ressurreição do último dia. Ao término de sua vida terrestre, ela foi levada à glória celeste com corpo e alma. Chamamos isso de Assunção. Este é um dogma católico proclamado pelo Papa Pio XII em 1950. Mas, desde o século VII já se respeitava essa tradição. Maria acompanha a condição de seu Filho. Está ressuscitada com ele. Como nós estaremos um dia.

Quando fazemos festa para Maria, na verdade festejamos quem nela fez maravilhas. E festejamos o que em nós ele fez, faz e fará: o novo nascimento, a santificação, a ressurreição. Fez em Maria, fará em nós. "O Senhor fez em mim maravilhas": o canto de Maria é nosso canto também.

Pe. João Carlos Ribeiro
Postar um comentário