03 agosto 2011

Gente de opinião

Houve um tempo em que o nosso modo cristão de viver era partilhado, mal ou bem, por todo mundo. Esse tempo não existe mais. Vivemos hoje em uma sociedade pluralista, com muitas opções sendo
oferecidas e pregadas. Nem todo mundo acredita nas mesmas coisas que nós acreditamos. O nosso modo de ver a família, o casamento, o trabalho, a vida sexual, a vida social, a economia, tudo isso encontram cada dia mais resistência e oposição. Basta recordar os temas camisinha, maconha,
homossexualismo, divórcio, aborto, prevalência dos interesses financeiros sobre a pessoa humana, pena de morte, entre outros. O pensamento da Igreja é criticado, desprezado, rejeitado.

Os valores que defendemos estão alicerçados na Palavra de Deus e na Tradição viva da fé. Não são invenções do Papa, dos padres ou de algum movimento religioso reacionário. Defendemos a vida, desde sua concepção até a sua morte natural. Consideramos que as necessidades da pessoa humana estão acima dos interesses do capital. Diante da obra da Criação de Deus, nos cabe respeito, desenvolvimento, preservação. É quanto nos manda nossa consciência cristã. Não estamos de acordo com a promiscuidade sexual, pregamos a castidade de solteiros e casados. Não temos dúvida que o verdadeiro casamento só pode acontecer entre homem e mulher. Cremos que o caminho certo para a solução dos conflitos é o da negociação, do diálogo, do perdão. São valores, são princípios, são bandeiras que nascem de nossa fé, enraizados na revelação bíblica e no ensinamento dos apóstolos de ontem e de hoje.

Que não pensem igual a nós, tudo bem. O desastre será se nós, por conta de opiniões contrárias, renunciarmos ao modo cristão de ver a vida e o mundo. Triste será se os cristãos esquecerem sua fé e embarcarem na onda moldadora de opinião dos grandes meios de comunicação e de grupos de pressão social. Já pensou se os cristãos trocarem o evangelho pela pregação que fazem hoje as novelas contra a família, contra o casamento, contra a santidade do sexo?  E se as paradas-gay e as marchas da maconha acabarem por nos convencer que esse é o caminho do progresso e da modernidade?

Os discípulos se aproximaram de Jesus e comentaram: "Estás sabendo que os fariseus estão de cara feia
pelo que disseste ao povo? Ficaram aborrecidos, estão escandalizados" (Mateus 15, 10-14). Quem sabe os discípulos não estivessem tentando que Jesus ponderasse mais suas palavras para não perder o apoio daquele grupo tão importante de Israel!. A resposta de Jesus foi de completa independência: "Aquilo que o Pai não plantou vai ser arrancado. Deixem-nos para lá. São cegos guiando outros cegos". Jesus continuou firme em suas convicções, sua referência era o Pai e o seu projeto de salvação. E tanto levou a sério sua missão, missão que ia na contramão  das elites de Israel, que foi denunciado, preso e executado como malfeitor.

Um seguidor de Jesus, nesta nossa sociedade em plena crise de valores, não pode ser uma pessoa que pensa com a cabeça dos outros e edita sua opinião, segundo os ventos da moda ou da pressão social. São Paulo foi bem claro: "Não se conformem com esse mundo, mas transformem-se, renovando sua maneira de pensar e julgar, para que possam distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito" (Romanos 12,2). Está claro demais. Não se conformar a esse mundo, isto é, não assimilar suas fraquezas e seus defeitos, não se moldar à sua imagem, mas antes, transformar-se, assimilando uma maneira de pensar e de agir segundo a fé.

É, o mundo necessita de profetas, de gente que rejeita a falsidade, de gente que acredita na verdade, de gente que tem sua opinião.

P João Carlos Ribeiro – 02.08.2011

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