13 outubro 2011

Criança se perde e chora

Por que será que Jesus nos disse para nos tornarmos como crianças?  Olha a catequese dele: chamou uma criança para o meio da roda e a apontou como exemplo. Se vocês não se converterem e não se tornarem como crianças não vão entrar no Reino de Deus! O que será que Jesus queria dizer com isso?


É claro que Jesus não nos quer infantis. Certamente, ele nos quer com um coração de criança em nosso relacionamento com Deus nosso Pai. Criança, por exemplo, se deixa conduzir. O Pai ou a mãe a toma pela mão e a conduz. Ela segue com confiança, com docilidade.  Essa virtude o adulto nem sempre tem. Ele prefere dirigir, não aceita facilmente ser dirigido. Conviria melhor para o nosso relacionamento com o Pai a atitude de docilidade e de confiança da criança, que se deixa guiar por Deus.

Entre nós e Deus, um sentimento natural é o da dependência. Nossa vida está em suas mãos.  Nós dependemos dele. Ele é Providente e cuida de nós. Esse é o sentimento do filho, sobretudo do filho pequeno que depende inteiramente dos pais, que precisa de sua proteção. O adulto é o independente, o autossuficiente, está mais para pai do que para filho. E o grande anúncio do Reino é que somos filhos e irmãos.

A criança se deixa encantar. Vibra com um presente, com um novo amiguinho, com a festa que vai participar. Está descobrindo o novo, cheia de curiosidade e encantamento. O adulto é um ser bastante desencantado, apanhado, cismado.  E não dá para iniciar-se no Reino de Deus sem encantamento, sem vibração. Maria vibrou de alegria pela obra de Deus em sua vida: O Senhor fez em mim maravilhas. O salmo oitavo sai cantando: Maravilhoso é o teu nome, ó Senhor, maravilhoso em toda terra. Não podemos perder o encantamento da criança.

Todo mundo se perde. Jesus contou a história da ovelha perdida. Sozinha, não ia conseguir se desatar e voltar pra casa. O pastor deixou as 99 e foi procurar a que se perdeu. Todo mundo se perde. A diferença é que a criança perdida chora e sai procurando os pais. E o adulto perdido só chora por dentro, faz cara de sabido e não pede ajuda a ninguém. Esquece que tem pai. Que pode chorar e pedir ajuda. E que o pastor vai sentir falta dele e vai buscá-lo.

Criança é espontaneidade. Não conhece cerimônia. Não tem medo de ser inconveniente. Não esconde seus sentimentos: ri, chora, grita, corre, brinca com liberdade. Não está ainda engessada pela etiqueta, pelo respeito humano, contida na manifestação de seus sentimentos, como os adultos. Lembra o que Zaqueu fez? Ele agiu como uma criança. Cheio de curiosidade, correu e subiu numa árvore pra ver Jesus passar. Assim ele estava abrindo as portas de sua vida para acolher o Reino que estava chegando. Precisamos manter a espontaneidade e a liberdade de uma criança.

E o amor puro e apaixonado da criança pelos seus pais? Sente falta, sente saudade deles. E não cansa de manifestar seu carinho e seu amor. É o que diz o mandamento "amar a Deus sobre todas as coisas". E só podemos nos manter perseverantes e fiéis, se houver um amor forte, pujante, apaixonado Deus, por sua causa, por Jesus Cristo. Como disse Paulo: "Nada vai me separar do amor de Cristo". E João: "Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo".

Jesus estava com a razão. Quem não se tornar como uma criança não entra no Reino de Deus.

Pe. João Carlos Ribeiro 


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