27 julho 2011

Sim, sim. Não, não.

"O sim de vocês seja sim. O não de vocês seja não. O mais vem do maligno" (Mt 5,37). Palavras sábias de Jesus. Programa de vida para os seus seguidores. Um sim que seja sim, um não que seja não. É o que ele quer de nós.


A gente observa hoje na educação dos filhos pequenos que os pais não sabem mais dizer sim ou não. Deixam tudo à escolha das crianças, como se elas tivessem já critérios para fazer opções duradouras. Os pais é que têm que ter critérios para escolhas sérias, responsáveis, duradouras. O perigo é que as crianças cresçam escolhendo sem critérios. Fazendo opções que não são opções verdadeiras estão na verdade correndo para o mais fácil, o mais prazeroso, o que está na moda. Isso não é fazer opção. Isso é cair em tentação.


Pais sem critérios para escolhas deixam os filhos em escolhas sem critérios. Pensemos, por exemplo, na escolha da escola em que a criança vai estudar. É claro que é interessante ouvir a criança a respeito disso, sobretudo no caso de uma mudança de escola. Mas, esperar que a escolha da criança seja a decisão final é abdicar da própria responsabilidade. Pais e mães têm responsabilidade na educação dos filhos, têm obrigação de providenciar o melhor, dentro de suas condições. E o melhor pode não ser o que parece melhor à criança que ainda não tem uma visão global da vida, nem suspeita o que a vida vai lhe cobrar amanhã ou o que cabe no bolso dos pais. Isso vale também para outras escolhas: a alimentação, como vai ocupar o final de semana, onde vai passar as férias, a hora de estudar e de brincar.  A criança precisa ser ouvida, mas não pode tomar todas as decisões sozinha, como se já fosse gente grande.


Aliás, muita gente grande sem critérios para escolhas vai sendo conduzida na vida pelos instintos, pelo faro, pela mera busca de prazer. Não pensa, não pesa, não escolhe. Vai no impulso, procura o mais fácil, o que lhe pode trazer mais glamour. Por isso suas escolhas são passageiras, irresponsáveis, interesseiras. É bem possível que essa seja a raiz de muita escolha fracassada. Matricula-se e abandona a faculdade. Começa uma academia e não termina o primeiro mês. Casa-se e se separa com a facilidade de quem despreza o brinquedo que perdeu a graça. Vai ver é gente que nunca fez escolhas verdadeiras, não foi preparada para escolhas responsáveis, para opções duradouras.


É claro que à medida que a criança cresce vai se tornando mais autônoma, mas já sabe seguir certas regras. Já tem aprendido que não pode fazer tudo que der na telha, que há razões para se escolher uma coisa, razões que vão além do que é gostoso, ou do que é prazeroso ou do que está na moda. Mas, o adolescente ainda precisa estar sob a autoridade dos pais, a última palavra ainda é deles em coisas importantes e decisivas. Um jovem respeitoso da autoridade dos seus pais não se improvisa. Ele começa na educação da criança. Sim, sim. Não, não. O mais vem do maligno, já disse Jesus.


Pe. João Carlos  - 28.07.2011

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