05 julho 2011

Águas mais profundas

Avancem para águas mais profundas. Orientação de Jesus a Pedro e aos seus companheiros de pesca. Convite de Jesus a todos nós.

 

Águas mais profundas na convivência. O corre-corre da vida pode ir nos fazendo superficiais nos nossos relacionamentos. Sem verdadeiro encontro de pessoas ninguém se sente integrado, valorizado, feliz. É aí que chega Jesus e nos diz: Avancem para águas mais profundas no relacionamento com os outros. Passar de um relacionamento de frieza, indiferença, desconfiança, superficialidade para um relacionamento de cordialidade, amizade, interesse pelo bem do outro.

 

Águas mais profundas na vida de família. O Pe. Zezinho já cantou: "o amor virou consórcio, compromisso de ninguém". Ser família é um dom, um presente de Deus. O nosso amor pela família se mostra no cuidado da casa e das pessoas, na atenção às situações de doença, de solidão, de crise. Família é o contrário de egoísmo, de individualismo, de indiferença. Família tem que ser lugar do respeito, do amor verdadeiro, do diálogo. Passar do eu para o nós, do meu para o nosso. Dar o primeiro passo, perdoar... ir além das aparências, ir além da obrigação... aprofundar mais a vida de família.

 

Águas mais profundas na luta pela sobrevivência.  Está tão difícil ganhar o pão de cada dia com o suor do próprio rosto. É tanto desemprego, tanta exploração... A gente pode sair cada dia para o trabalho ou para procurar um emprego com um sentimento negativo, de quem está fazendo uma coisa aborrecida e dolorosa. É aí que chega Jesus e nos diz: Avancem para águas mais profundas. Passem de um corre-corre mal-humorado, aborrecido, indo em frente por obrigação para um modo de buscar ganhar a vida com otimismo, sentindo-se útil no que faz, servindo com generosidade, realizando bem as próprias tarefas, enfrentando com criatividade e perseverança as dificuldades do mundo do trabalho.

 

Águas mais profundas na sua vida cristã. Não basta ser religioso. É preciso, pela religiosidade, aproximar-se do Deus verdadeiro, para estar em comunhão com ele e realizar a sua vontade. Há muita atitude religiosa superficial, sem profundidade, sem conversão. É aí que chega Jesus e nos diz: Avancem para águas mais profundas na religiosidade. Passem de um estilo interesseiro, supersticioso, movido à obrigação para a gratuidade do louvor e da ação de graças a Deus, o sentimento de reparação pelas próprias faltas e as dos outros, disposição para a conversão, uma religiosidade movida a amor, não à obrigação.

 

Em águas rasas não dá para pescar com abundância. Sem esforço, sem entrega, sem sacrifício não se colhe com fartura. É preciso arriscar mais, engajar-se mais, aderir com maior profundidade. Nos relacionamentos, na vida de família, na luta pela sobrevivência, na vivência da religião. É preciso avançar para águas mais profundas. É hora de escutar o que Jesus está nos dizendo. E levá-lo a sério.

 

Pe. João Carlos

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