Meditação da Palavra

19 junho 2011

Uma comunidade de amor

A principal oração do povo de Israel está em Dt 6,4: "Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor." Foi o que o povo eleito do Antigo Testamento recebeu como revelação e passou ao cristianismo e ao islamismo. Deus é um só. "O Senhor nosso Deus é o único Senhor".


As comunidades do Novo Testamento acolheram de Jesus a revelação sobre a Trindade, que em Deus há três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Isso já estava no Antigo Testamento, como que anunciado. Por exemplo, na primeira página da Bílbia, quando Deus tomou a decisão de criar o ser humano, disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança". "Façamos... à nossa imagem"... poderia ser um plural majestático, mas poderia ser também um indício, desde a primeira página bíblica, de que Deus é uma comunidade de pessoas em absoluta harmonia e unidas por laços de amor.


Jesus revelou Deus como o Pai. Quem criou o mundo, quem fez aliança com os patriarcas, quem enviou os profetas, quem deu uma Lei ao povo, foi o Pai. Foi ele que enviou o filho, Jesus. O filho estava ao seu lado desde sempre, mas começou a ser uma pessoa humana, com a encarnação. Assim entrou na nossa história. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o verbo era Deus. "E o verbo se fez carne e habitou entre nós": é quanto se lê no prólogo do Evangelho de São João".


Jesus foi enviado pelo Pai e agia em seu nome. Quando se aproximou o dia de sua volta ao Pai, pela morte na cruz, ele falou mais claramente aos discípulos sobre o Espírito Santo. "Se eu não for, não virá o outro defensor, o Espírito Santo". Foi o Espírito Santo que o ungiu para a missão: "O Espírito do Senhor repousa sobre mim, ele me ungiu para eu evangelizar os pobres". Foi o Espírito que veio ele, no batismo do Jordão, em forma de pomba. Foi o Espírito que o impeliu para o deserto, para enfrentar e vencer as tentações.


O Pai ninguém nunca viu, como disse São João. Sendo a origem da vida, o imaginamos pela experiência que temos da paternidade e da maternidade . O Filho, pela encarnação, assumiu nossa natureza humana. Recebeu o nome de Jesus. Continua sendo humano, sem deixar de ser Deus e está agora sentado à direita do Pai, com o seu corpo humano glorificado pela ressurreição. O Espírito Santo ninguém nunca viu, pois não é uma pessoa humana como Jesus. Ele foi representado biblicamente de várias formas. Pelo vento, comunicação da vida de Deus. Pela água, que lava, purifica e comunica vida. Pelo óleo, consagrando-nos como filhos de Deus e servidores da missão. Pelo fogo, que é o entusiasmo e o elã para a missão.  A água representa a ação do Espírito na nova criação. A pomba também lembra a criação e a aliança.


A Santíssima Trindade é o mistério da presença de Deus em nossa história e em nossa vida. Vivemos mergulhados nesse mistério de Deus, uno e trino. Como disse Paulo em Atenas;  "Nele nos movemos, existimos e somos". O mistério do Deus que é amor e que nos ama, envolvendo-nos no seu amor. Um Deus único, em três pessoas. Uma comunidade de amor.


Pe. João Carlos Ribeiro – 19.06.2011