27 junho 2011

Sem amor, não tem religião

Religião não é obrigação, é paixão. Não é lei, é amor. O amor supera a lei. O amor supera a obrigação. Vem do profeta Oséias a palavra que Jesus repetiu: Eu quero amor, não sacrifícios.  Sem o amor, a religião vira uma coisa chata, uma obrigação enfadonha, um peso. Só o amor faz a religião ser uma coisa doce, agradável, prazerosa.  

 

Mas não é qualquer amor que explica a religião. É o amor a Deus. E, antes de tudo, o amor de Deus. Deus nos ama e manifesta esse amor ao longo da história. Numa pessoa, apareceu ainda mais claro o amor apaixonado de Deus por nós. Em Jesus. Ele enviou o seu filho único, porque amou muito o mundo. E quis muito nos resgatar e assim estendeu a mão para nós.  Ou melhor, abriu os braços para nos receber num abraço de reconciliação, como na história do filho pródigo.  Jesus realizou isso que o Pai queria. Ele  abriu os seus braços humanos e divinos na cruz para nos acolher. E nos abraçar na comunhão do Pai e do Santo Espírito. O amor de Deus é um lado da moeda.

 

O outro lado da moeda é o amor da gente por Deus. E por Jesus, o enviado, que nos  tratou como amigos e ofereceu sua vida para nos resgatar. O amor a Cristo é o outro lado da medalha. Aí existe a religião cristã: o amor de Deus por nós e o nosso amor por ele. O apóstolo João tinha razão. Ele se achava o discípulo amado. Todo discípulo é o discípulo amado. Só se faz discípulo quem se sente profundamente compreendido, acolhido, amado. É o amor que explica o seguimento de Jesus.

 

Dá pra escutar Jesus conversando com Simão Pedro, passando a limpo a sua traição. "Simão, tu me amas?" Se o ama, dá pra recomeçar. Se o discípulo ama de verdade o Mestre, então tudo pode ser superado e remediado. É assim que o remédio do perdão pode ser tomado e faz efeito. E o amor ao Mestre é um amor acima de qualquer outro amor. Acima da família, acima do amor ao pai e à mãe, acima do amor aos filhos. O amor a Jesus está em primeiro lugar. É o primeiro mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas.

 

Então, podemos pensar assim: se a sua vivência religiosa está esfriada, se você anda distante da fé, se se sente desmotivado nas coisas da religião...  é bem possível  que  o seu amor ao Mestre ande meio superficial, meio faz de conta. Talvez você não o conheça bem. Talvez você olhe a religião apenas pelo lado da obrigação. Vou lembrar a você: a Palavra de Deus não é um livro, é uma pessoa. Lembra da passagem: "E o verbo se fez carne e habitou entre nós"? A palavra é a comunicação do amor com que Deus nos ama. E a palavra de Deus, o Verbo, finalmente fez-se uma pessoa na história humana: Jesus. Uma pessoa que nos ama. Uma pessoa que merece o seu amor.

 

Sem uma amizade profunda entre o discípulo e o Mestre não há religião cristã.  Entre o pastor e a ovelha há um vínculo de amizade, de confiança, de afeto. Você é o discípulo amado. Ele é o pastor que dá a vida por você, porque o ama. Deixe-se convencer por esse amor tão grande. Deixe-se vencer por esse amor tão forte. Responda ao amor com o amor.

 

E quando a medida é o amor, então a gente faz as coisas com gosto e faz mais do que a norma manda, porque o amor não tem medida. É, sem o amor, não tem religião.

 

Pe. João Carlos – 28.06.2011

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