30 junho 2011

O recado tem pressa

A Conferência de Aparecida falou de discípulos e missionários. Missionário é quem tem um recado para dar. Não é o dono do recado. Mas, tem pressa em desincumbir-se do mandado que recebeu. Foi encarregado de dar o recado. E o recado é importante para o destinatário. E tem pressa de chegar ao conhecimento do interessado.

 

Antigamente, quando se falava de missionário, vinha logo à mente a figura das santas missões que os frades pregavam por toda parte. Missionários eram os frades pregadores. Graças a Deus, hoje, a mentalidade já mudou bastante. Hoje podemos encontrar, em muitos lugares, até crianças que se dizem missionárias. Elas pertencem à Infância Missionária. Elas são muitas e muito animadas e ativas. Desde cedo vão aprendendo que a missão é atributo de todo cristão. Desde pequeno vão crescendo nessa mentalidade e no exercício de um cristianismo ativo, preocupado com os mais pobres e os mais afastados.

 

O fervor missionário foi o segredo da expansão do cristianismo nas suas origens. E o fervor missionário se explica pelo amor a Jesus Cristo. Nos primeiros anos que se passaram após a ressurreição de Jesus, os discípulos movidos em parte pela perseguição, em parte pelo zelo do anúncio, espalharam-se pelo Oriente Médio e depois por todo o Mediterrâneo. Em cada lugar, comunicavam os acontecimentos da vinda salvadora de Jesus e criavam comunidades. Foi uma explosão de testemunho e de fé.

 

Os missionários, além das grandes distâncias que tinham que percorrer, tinham que enfrentar muita resistência dos judeus espalhados pelas cidades do império romano e quase sempre colheram perseguições por conta do governo imperial. Foi um tempo de grande fervor missionário, regado com o sangue de muitos mártires. Não há missão sem uma boa de martírio, de imolação, de sofrimento. Não foi à toa o alerta de Jesus: segui-lo significaria a renúncia de si mesmo e um caminho diário de cruz. É o caminho do missionário.

 

Mas, não é só de cruz o caminho do cristão que assume a missão. Na verdade, o missionário vive da alegria da entrega de si mesmo em favor da boa nova que vai sendo comunicada. Alegria também. É só lembrar o missionário Jesus naquela prece de ação de graças: Pai, eu te dou graças porque estás revelando o Reino aos pequeninos. As dores do parto não têm nem comparação com a alegria pelo nascimento da criança. É ouvir seu choro, tomá-lo nos braços e todas as dores que o precederam são esquecidas ou ao menos relevadas. As incompreensões, canseiras, dificuldades, perseguições com que os missionários e as missionárias semeiam seu testemunho não têm comparação com a alegria de ver alguém sendo restaurado, encontrando a vida e a felicidade em crer. É como diz o salmo 126: "os que vão semeando entre lágrimas, colherão cantando os seus feixes".

 

O recado é o de Cristo, do amor do Pai revelado nele. O missionário precisa levar esse recado a todo mundo, em todo canto. O missionário, a missionária é você. A única coisa que pode explicar seu zelo missionário é o seu amor a Jesus Cristo. Levar o recado tem seu preço, renúncias, incompreensões... mas, quando contemplamos o rosto de quem recebeu de coração aberto o recado do Mestre, aí sabemos que valeu a pena.

 

Pe. João Carlos – 01.07.2011

 

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