29 junho 2011

O Mestre e o discípulo

Por alguma razão, Jesus e os seus seguidores adotaram um relacionamento de tipo discípulos-Mestre. Foi assim desde o começo. Aqueles que se deixavam tocar pelo anúncio do Reino, eram convidados por Jesus a segui-lo. Faziam-se discípulos dele. Para muitos, seguir Jesus era também andar com ele, peregrinar com ele por todo o país, conviver com ele em sua peregrinação apostólica. Para outros, segui-lo era tê-lo como referência, ouvir suas pregações, participar de suas reuniões e voltar pra casa. Mas, no ritmo cotidiano de sua vida, manter-se atentos aos seus ensinamentos, à sua maneira de viver.

 

Certamente esse modelo discípulo-mestre era já conhecido pelo povo de Deus. Alguns profetas tiveram discípulos. E esse modelo era praticado por alguns grupos do tempo de Jesus, por exemplo os fariseus e os essênios. Os mestres tinham seus discípulos, seus alunos. Mas Jesus não era um simples professor, um sábio ou um doutor da Lei. Tinha algo de diferente, uma marca particular que o fazia único e admirado. Seu ensinamento renovava pessoas, revigorava gente cansada do sofrimento. Os prodígios e milagres que aconteciam confirmavam suas sábias palavras. Ele falava do Reino de Deus. E, como dizia o povo, falava com autoridade. Convocava à conversão, como o Batista. Acolhia os pecadores e denunciava a presunção dos que se pensavam santos e justos.

 

Os discípulos acompanhavam o Mestre, aprendiam com ele que estava sempre em movimento. Em particular, ele lhes explicava as parábolas e revelava coisas importantes sobre seu relacionamento com o Pai. A certa altura de sua breve trajetória, começou a antecipar-lhes a rejeição e o sofrimento que enfrentaria até à morte. Mantinha perto de si um grupo mais próximo, a quem chamava de apóstolos. No grande grupo de discípulos, havia mulheres e homens. E com certeza não era um grupo pequeno. Uma vez enviou em missão um grupo de 72 discípulos. Era um grupo considerável, com certeza.

 

E qual era o relacionamento que existia entre Jesus e os seus discípulos? Uma grande afeição, além do sentimento de admiração e confiança. Uma grande afeição, uma amizade profunda. É só pensar no que Jesus disse na última ceia: eu não chamo vocês de servos. Vocês são meus amigos. E aquela outra palavra: ninguém tem maior amor do que aquele dá a vida por seus amigos. Jesus era amigo dos seus discípulos, lhes queria bem, daria a vida por eles. Rezou naquela bela oração: Pai, quero que onde eu estiver, estejam aqueles que me deste. É verdade que os discípulos foram fracos e na hora "h" quase todas ficaram com medo e se acovardaram. As discípulas mostram-se mais fiéis: na hora da cruz elas estavam lá, sem poder fazer nada, mas ao lado do amigo fiel.

 

Tudo isso eu estou lembrando pra dizer que o seu relacionamento com Jesus só pode ser o de discípulo. Você é discípulo dele, discípula dele. E entre o discípulo e o Mestre Jesus, o relacionamento é de amizade, de confiança, de confidência. Ele é o seu amigo fiel. Verdadeiramente ele ama você, tanto que ofereceu sua vida para lhe resgatar, para abrir as portas da felicidade e da comunhão com Deus. Não fale com ele como se ele fosse um desconhecido. Vou lhe dizer uma coisa: o que define o cristão não é ser uma pessoa religiosa. O que define um cristão é ser uma pessoa apaixonada pelo Mestre.

 

Pe. João Carlos – 30.06.2011