Meditação da Palavra

12 junho 2011

Na missão, somos um

Gente, que festa bonita fez a Arquidiocese de Olinda e Recife ontem, no Pátio do Carmo, a festa de Pentecostes. Lotou todo espaço disponível até a Dantas Barreto. No próximo ano, tem-se que escolher um lugar mais amplo, porque o Pátio do Carmo não vai caber mais. Os cantores fomos chamados para animar o grande encontro. Frei Damião, Celso Pontes, Boa Nova, Encontro de Irmãos e eu levamos a canção religiosa ao palco. E a música religiosa está, cada dia mais, encontrando seu espaço na Igreja. Dom Fernando Saburido presidiu a concelebração e pregou sobre o tema do encontro.


Aliás, é o primeiro ano, da nova safra, que a Arquidiocese toda se reúne para celebrar Pentecostes. E é muito justo que o faça, pois essa solenidade é a festa por excelência da Igreja que nasce pelo derramamento do Espírito Santo. Como contam os Atos dos Apóstolos, 120 discípulos e discípulas estavam no cenáculo em oração. Entre eles, a mãe de Jesus, Maria. Está escrito lá no livro dos Atos. O clima ainda era de medo, pela perseguição que tinha levado Jesus à pena capital dos revoltosos e malfeitores. Mas, estavam ali em atenção ao pedido mesmo de Jesus, que ressuscitado, tinha dito para aguardarem em Jerusalém a força do alto para continuarem a sua missão. "Vocês vão ser minhas testemunhas", disse Jesus, antes de voltar ao Pai, ressuscitado e glorioso.


Quando veio o Espírito Santo, como línguas de fogo sobre cada um deles, foi uma revolução. Desapareceu o medo, acabou-se o temor, a fragilidade virou força. Abriram as portas e foram para a praça. E Pedro soltou o verbo: "Esse Jesus que vocês mataram, Deus o ressuscitou. Ele agora está glorioso junto de Deus Pai e nos mandou dar testemunho de tudo isso. Agora é a hora da restauração, Jesus é o recomeço da história, o caminho de um povo livre, fraterno e em comunhão com Deus". E aí, aquele povo todo que foi se juntando, escutando tudo aquilo, começou a olhar Jesus com outros olhos e ver que ele era mesmo o Messias que estava prometido nas Escrituras. E pediram para ter parte com ele, para serem também seus seguidores. Foram batizadas 3.000 pessoas naquela tarde. E mais: mesmo gente de outras terras, de outras línguas, peregrinos da festa da páscoa, entendiam tudo o que Pedro, o rude pescador da Galileia, estava anunciando. A Igreja estava começando, fruto da páscoa de Jesus, como obra do Espírito Santo.


"Na missão, sejamos um: Igreja missionária na força do Espírito Santo". Esse foi o tema da festa de Pentecostes em Recife. Na missão, sejamos um. O arcebispo, em sua homilia, lembrou o contraste com a história da Torre de Babel. Na construção da imensa torre, a vaidade dos homens e os seus arroubos de grandeza a qualquer custo findaram por bloquear o projeto. E foi cada um para o seu lado, sem mais entendimento, cada um falando uma língua diferente. Em Pentecostes, a torre é o cenáculo, sala no primeiro andar. Ali foi a restauração, o contrário de Babel. Desceram para o encontro, a unidade, não para a dispersão. Da dispersão chegaram os peregrinos, falando várias línguas, mas todos afinal se reencontraram na mesma Palavra, no único Batismo, no mesmo Espírito. "Na missão, sejamos um", disse bem o tema desse simpático evento de ontem. O dom da unidade, da comunhão: fruto da presença do Espírito de Deus. A continuação da missão de Jesus: parceria entre os discípulos e o Espírito.


E a prece da Igreja subiu cálida na tarde de ontem:  "Envia, Senhor o teu Espírito e tudo será criado e renovarás a face da terra", oração do salmo 103, v 30. O Espírito é, portanto, o agente de mudança. E renovarás a face da terra. Tem a ver com a criação. Tem a ver com a renovação do mundo, da história.  Diferentemente do que muita gente pensa, o Evangelho é um fermento de mudança na história. E o Espírito é esse inspirador e conselheiro de quem crê, instruindo, incitando ao compromisso com o Bem, com a Verdade, com a Justiça. É ele que inspira os profetas. E os sustenta. Ele atualiza a presença e a ação de Jesus, que "veio para que todos tenham vida". E oportunidade para todos, felicidade para todos, os bens da criação para todos: é uma grande e necessária mudança, que o Espírito chegou para animar.


 Pe. João Carlos – 12.06.2011