15 maio 2011

Onde nasce a vocação

Achei inspiradora a reflexão que o Papa Bento XVI escreveu para o dia mundial de oração pelas vocações deste ano. Com grande sensibilidade pastoral, em linhas de grande simplicidade, explicou que a vocação dos discípulos nasce no diálogo íntimo de Jesus com o Pai. Eu nunca tinha pensado nisso. A vocação dos discípulos nasce no diálogo íntimo de Jesus com o Pai.

De fato, antes de escolher os seus apóstolos, ele passou uma noite em oração no monte. E olha que ele tinha uma escolha difícil para fazer. Queria escolher sua equipe de liderança dentre o seu numeroso grupo de discípulos, de seguidores. Doze. Doze, por ser o número da organização do povo de Deus, na linha das doze tribos que formavam Israel. Com que critérios selecionar, qual o melhor perfil, que tarefas teria o grupo, como seria formado.... tudo isso, com certeza, passou a noite pensando, decidindo, em oração. Não foi uma reunião de gabinete, foi uma noite de oração.

Uma noite de oração, quer dizer, uma prolongada conversa com o Pai. Prolongada e íntima. Filial. Alguém poderia logo pensar, ele já sabia tudo, ele não precisava quebrar muito a cabeça. Engano. Ele passou uma noite rezando, conversando com o Pai. E outro poderia também imaginar: com certeza, o Pai que tudo vê e tudo sabe, comunicou sua vontade e Jesus, sempre obediente, anotou tudo e pronto. Mas não foi assim.

Jesus não assumiu nossa humanidade de brincadeira. Ele, apesar de ser Deus, era homem. E gente fica em dúvida, não tem clareza em tudo, quebra a cabeça para acertar. E o Pai não fez de conta que enviou o seu filho ao mundo. Ele foi o primeiro a valorizar a sua encarnação. Deixou Jesus pensar bem, ponderar tudo, não antecipou as respostas. Estava ao seu lado, dialogando com ele, mas a decisão era do filho.

Olha só o que Papa pensou: a vocação dos discípulos nasce no diálogo íntimo de Jesus com o Pai. Desse diálogo, em uma noite de conversa-oração, partiu a decisão de Jesus de chamar alguns para a condição e o serviço de apóstolo. Quando de manhã, desceu do monte, convocou todos os discípulos e chamou pelo nome os 12 dentre eles. A vocação é um chamado de Deus. Pede uma resposta da gente. Mas, nasce do diálogo do filho com o Pai.

Se a vocação é, em primeiro lugar, uma iniciativa de Deus, Jesus tinha razão quando pediu pra gente rezar ao Pai. Ele disse: peçam ao dono da messe, que mande operários para a sua messe. Deus é quem chama. Ele é quem põe no coração da gente o desejo da consagração, o elã do serviço, a inclinação para nos unirmos a Jesus no seu ministério em favor do povo. A resposta é com a gente, pode até ser negativa. Mas o chamado é de Deus. E nasce da conversa íntima de Jesus com o Pai. É verdade que esse chamado chega até pela mediação de muita gente, de muitos sinais, de muitas situações. Alguém nos transmite esse convite, pelo testemunho, pelo estímulo. As urgências das situações também nos transmitem o convite de Deus. Mas, é verdade, a escolha é, por primeiro, uma iniciativa de Deus. E nasce do diálogo íntimo de Jesus com o Pai.  

 
Pe. João Carlos – 14.05.2011
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