Meditação da Palavra

02 janeiro 2011

Liberdade religiosa, caminho para a paz

O Papa marcou o início do ano civil com uma mensagem sobre "liberdade religiosa, caminho para a paz". Os cristãos estão apreensivos diante de constantes agressões e perseguições contra comunidades cristãs especialmente no Oriente Médio. No Iraque, grupos fundamentalistas islâmicos estão atacando igrejas e matando fiéis. Da África e na Ásia, chegam notícias de massacres e restrições à atividade religiosa. Nos países do Ocidente, a coisa aparece disfarçada, mas igualmente cerceadora da liberdade religiosa. Pretende-se, em nome do estado laico, suprimir os símbolos religiosos dos lugares públicos e as referências religiosas da vida pública.

A mensagem do Papa Bento XVI, escrita para o dia mundial da paz, explica porque a liberdade religiosa é fundamental para a construção de uma sociedade respeitosa das liberdades e de um estado promotor dos direitos humanos. A religião, explica o Pontífice, é quem abre para o ser humano a compreensão de sua dignidade. É ela também quem põe as bases de uma convivência ética sólida e estável na vida social. Além do mais, é um dos direitos sagrados da pessoa humana, reconhecido pelos povos da terra na Carta dos Direitos Humanos de 1948, na ONU.

Negar a religião ou tentar reduzi-la apenas ao âmbito privado é querer desprezar uma área da existência humana das mais nobres e importantes. Desconsiderar a dimensão espiritual da vida humana e da cultura é reduzir o homem e a sociedade apenas à sua dimensão material e social. A ausência da religião na vida social é a vitória do materialismo, a derrota da esperança, a negação da transcendência da vida humana e de sua cultura.

Em sua mensagem de início de ano, Bento XVI condena tanto os fundamentalismos religiosos quanto as tentativas laicistas de banir a religião do cenário público. Os fundamentalistas religiosos são perversos porque pretendem impor à força suas convicções religiosas e massacrar qualquer manifestação religiosa fora do seu controle e de sua lógica. Para eles é preciso afirmar o sagrado direito da liberdade religiosa, o direito de cada cidadão escolher,  praticar a sua fé e viver de acordo com suas convicções religiosas. As posições laicistas que pretendem retirar as referências a Deus e os símbolos religiosos da vida pública são igualmente perniciosos, negadoras da liberdade religiosa e das raízes cristãs da sociedade ocidental.

Conclui o Papa: "Não se pode aceitar nada disto, porque constitui uma ofensa a Deus e à dignidade humana; além disso, é uma ameaça à segurança e à paz e impede a realização de um desenvolvimento humano autêntico e integral". 

Eu mesmo escrevi em uma de minhas canções do meu novo CD: "Nada vale nessa vida, se a vida for vivida sem Deus. Que adiante boa vida, segurança e conquistas, sem Deus? O sentido de uma vida, na chegada ou na partida, é Deus. Apenas vale o caminho que nos leve sem desvio a Deus". Liberdade religiosa, caminho da paz.

P João Carlos Ribeiro – 02.01.2011