18 março 2008

Maria e Judas: dois discípulos a um passo da paixão


”Ela derramou o perfume nos pés de Jesus
e os enxugou com os seus cabelos;
e toda a casa ficou perfumada” (Jo 12, 3)

Seis dias antes da Páscoa, Jesus hospeda-se na casa de Marta, Maria e Lázaro, seus amigos e discípulos. Prepararam um bom jantar para receber Jesus e o seu grupo. Durante o jantar, Maria lavou os pés de Jesus com um perfume muito caro. A casa ficou cheia do perfume de Maria. Foi um gesto de amor, de gratuidade, de serviço. O perfume é coisa que fala de amor, de carinho. Lavar os pés do visitante era um gesto de serviço, trabalho de criados. Com certeza, ela empregou um bom dinheiro para comprar aquele perfume e o derramou sem pena nos pés do Mestre. Foi um gesto de gratuidade, de um amor generoso que não faz as contas de quanto está gastando, quanto está empenhando, quanto está colocando de si. Amor gratuito, como o de Jesus que estava para dar a própria vida, sem reserva, sem fazer contas. Dar a própria vida: ninguém tem maior amor. Judas representa quem não é capaz de amar como Jesus. Judas é quem não aprendeu a amar como Jesus. Ou quem não quer acolher o amor de Jesus, assim tão generoso e gratuito como é. Por isso, ele reclama do disperdício que seria derramar aquele perfume todo ou mesmo o dinheiro que podia ter sido econimzado para ajudar os pobres. Judas não entendeu: não se trata apenas de ajudar os pobres. Trata-se de amar os pobres. Como Jesus, comprometendo a própria vida, numa atitude de serviço gratuito e generoso. Maria mostrou que aprendeu com Jesus: o perfume do seu bom exemplo, de sua vida de discípulo encheu a casa toda, como uma luz que ilumina. Judas mostrou o sentimento mesquinho de quem não aprendeu a ser como o Mestre. Mas interessado no seu bolso, na sua vida, do que no bem dos outros. Incapaz de seguir com Jesus até a cruz.

Pe. Joao Carlos